Barbara
Leininger não desistiu. Ela e a irmã, Regina, eram filhas de
imigrantes alemães que se estabeleceram em Colonial, Pensilvânia, e
as duas garotas tinham onze e nove anos quando foram sequestradas. Em
um dia de outono, em 1755, as irmãs estavam na cabana, na fazenda,
com o irmão e o pai quando dois índios guerreiros abriram a porta a
força. Muitos dos nativos na área eram amistosos, mas não esses
dois. Barbara e Refina ficaram juntas, encolhidas, enquanto o pai
dava um passo à frente. Sua esposa e o outro filho estavam passando
o dia no moinho. Estavam em segurança, mas as duas filhas não.
Ele
ofereceu comida e tabaco aos índios. Disse às garotas que pegassem
um balde d'água, que os homens deviam estar com sede. Enquanto as
garotas se apressavam pela porta, ele falava com elas em alemão
dizendo que não voltassem até que os índios tivessem ido embora.
Elas correram até o riacho mais próximo. Enquanto pegavam água, um
tiro ressoou. Esconderam-se no mato e observaram a cabana ser
consumida pelas chamas. O pai e o irmão nunca saíram, mas os dois
guerreiros sim.
Encontraram
as garotas escondidas e as levaram com eles. Outros guerreiros e
prisioneiros logo apareceram. Barbara percebeu que ela e Regina eram
apenas duas das muitas crianças que sobreviveram a um massacre. Os
dias se transformaram em semanas, enquanto os índios levavam os
prisioneiros para o Oeste, Barbara fazia o máximo para ficar perto
de Regina para encorajá-la. Ela lembrava Regina da canção que a
mãe ensinara:
“sozinho,
mas não só
Embora
na solidão tão sombria
Sinto
meu Salvador sempre junto a mim
Ele vem
nas horas exaustivas para animar
Estou
com ele comigo
Portanto,
não posso estar solitário.”
As garotas
cantavam uma para a outra, enquanto adormeciam à noite. Desde que
estivessem juntas, acreditavam que poderiam sobreviver. Em um
determinado ponto, entretanto, os índios se dispersaram, separando
as irmãs. Barbara tentou segurar-se em Regina e soltou a mão dela
somente sob ameaça de morte.
As duas
garotas foram levadas em direções opostas. A jornada de Barbara
continuou por varias semanas, cada vez mais floresta adentro.
Finalmente, a vila indígena apareceu. Ficou claro que ela e as
outras crianças deveriam esquecer os pais. (…)
Três anos
depois, Barbara escapou. Ela correu pela floresta por onze dias,
chegando, finalmente, em segurança em Fort Pitt. Implorou para que
os oficiais enviassem um grupo de resgate para procurar por Regina.
Eles explicaram a ela que essa missão seria impossível e
conseguiram que ela se reunisse com a mãe e o irmão. Ninguém tinha
notícias de Regina.
Barbara
pensava na irmã diariamente, mas a sua esperança só se concretizou
seis anos depois. Ela havia casado e constituído sua própria
família, quando recebeu a noticia de que 206 prisioneiros foram
resgatados e levados a Fort Carlisle. Estaria Regina entre eles?
Barbara e
a mãe foram até lá para descobrir. A aparência dos resgatados as
deixou espantadas. A maioria deles passaram anos isolados nas vilas,
separados dos colonizadores. Estavam magros e confusos; e tão
pálidos que se confundiam com a neve.
Barbara e
a mãe caminharam para cima e para baixo, chamando Regina, buscando
rostos e falando alemão. Ninguém olhava ou respondia. A mãe e a
filha viram-se em lagrimas e disseram ao coronel que Regina não
estava entre os resgatados.
O coronel
insistiu para que se certificassem. Ele pediu se não havia sinais de
nascença, cicatrizes ou objetos que a identificassem, a mãe só
balançou a cabeça negativamente. Regina não estava usando nada que
a identificasse. O coronel teve uma ideia: havia alguma memória ou
canção de infância?
Os rostos
das mulheres se iluminaram. E a canção que cantavam todas as
noites? Barbara e a mãe imediatamente viraram-se e começaram a
caminhar pelas fileiras cantando: “Sozinho mas não só...” Por
longo tempo ninguém respondeu. Os rostos pareciam confortados pela
canção, mas ninguém reagia a ela. Então, de repente, Barbara
ouviu um choro alto. Uma garota alta, magra, veio correndo da
multidão em direção à mãe, abraçou-a e começou a cantar o
verso.
Regina não
reconhecera a mãe ou a irmã. Esquecera como falar inglês ou
alemão. Mas lembrava-se da canção que fora colocada no coração
dela quando garotinha.
Deus
coloca uma canção nos corações de seus filhos, também. Uma
canção de esperança e vida. “Pôs um novo cântico na minha
boca” (Salmo 40:3).
(Texto
extraído do livro: GRAÇA, Mais do que merecemos. Maior do que
imaginamos. Escrito por Max Lucado) Procure adquirir e ler o livro
todo é maravilhoso e edificará a sua fé!

